A PREVENÇÃO DA RECAÍDA
RECAÍDA DA DOENÇA ADICTIVA
A recaída é um processo complexo, não podendo ser simplesmente explicado. Existem muitos aspectos que precisam ser entendidos. É necessário que este trabalho seja lido mais de uma vez e discutido em reuniões para realmente entender e aplicar os princípios abordados aqui. Em primeiro lugar vamos entender um pouco mais do que o básico da doença da adicção esplanado nos tratamentos convencionais, é impossível entender o processo de recaída sem entender a doença da qual se recai
Por pesquisas feitas, mais e mais pessoas vem a perceber que o processo de recaída começa antes de usar o químico, as pessoas podem tornar-se disfuncionais na sobriedade sem beber ou usar. Podem perder a capacidade de julgamento e comportamento, desenvolver problemas emocionais ou físicos. O processo vai alem da idéia tradicional de recaída com o uso para entender que o processo inclui atitudes e comportamentos que levam ao uso ativo do químico.
A recuperação começa com a aceitação do fato de que o adicto não pode usar substâncias alteradoras de humor com segurança, mas isso não é o bas-tante, ele precisa parar de usá-los. Não usar é abstinência e ela permite que o pro-cesso de recuperação comece. Aprender a viver normalmente sem o uso de quí-micos requer mais do que abstinência. Requer corrigir os danos físicos, psico-lógicos e sociais causados pela adicção. Também deve aprender a enfrentar a vida de uma maneira não adictiva.
Recaída e recuperação estão intimamente relacionados. Tendência a recaí-das são como fungos venenosos, crescem mais e melhor na escuridão. A luz do pensamento claro e acurado tende a matar as tendências a recaída rapidamente. Infelizmente ou felizmente a doença da adicção obriga o adicto a talvez buscar um aperfeiçoamento que as pessoas comuns não são obrigadas a experimentar. Elas podem ser confusas, complicadas, desligadas, sentir raiva, vergonha ou outros sentimentos negativos sem maiores preocupações ou conseqüências. O adicto é obrigado a se vigiar, cuidar e melhorar a cada dia que passa pois para ele, se tornar uma pessoa melhor o ajuda a viver em recuperação, ou seja, com uma paz de espirito que somente a sobriedade pode proporcionar.
É possível interromper a síndrome de recaída antes que ocorram conseqüências sérias, alguns preferem beber ou usar para conseguir alívio temporário da dor, outros não bebem mas desenvolvem sérios problemas de vida e saúde relacionados com a síndrome de recaída. Trazer os sinais de aviso de recaída que ele está experimentando, mas de uma forma consciente, sabendo o que está acontecendo é nosso objetivo. Este é o ponto, saber o que está acontecendo, muitos adictos passam por situações em que pensam: “Tem algo errado comigo não sei o que é, mas não deve ser nada importante”. E assim tem início o processo de negação que pode ser interrompido através do exercício do luto desenvolvido pela Dra Elizabeth Kubler-Ross pois para se trabalhar a recuperação e a recaída temos que trabalhar a negação primeiro.A recaída é um processo que leva o individuo a retomar o uso abusivo de álcool e/ ou drogas. Por tratar-se de um fenômeno consideravelmente poderoso e perigoso, é necessário que o indivíduo receba instruções em grupos e reuniões para conhecer tal processo e receber treinamento para desenvolver o autocontrole.
Ë difícil entender e identificar seus motivos. O individuo através de exer-cicios de autoconhecimento e autocontrole , deve identificar situações, pessoas, lugares, estados emocionais, comportamentos e atitudes que podem mantê-lo em recuperação.
A prevenção da recaída é um conjunto de habilidades e modificações do estilo de vida da pessoa para evitar recaida e visa:
1) A aquisição de habilidades para lidar com as situações de risco.
2) A modificação do estilo de vida
Situações consideradas de risco, entre outras, e facilitadoras para a recaída:
· Estados emocionais negativos - depressão, angustia, tristeza, desânimo, culpa. stress, humilhação, vergonha, ciúmes, medos, etc.
· Conflito familiar- preconceito, cobranças, discussões, dificuldades nos relacionamentos, dificuldades financeiras, ociosidade em casa.
· Pressões sociais - preconceito, cobrança , desemprego, amizades novas e anti-gas, falar em público, reivindicações, etc;
· Trabalho e o ambiente de trabalho - fim do expediente, convite dos colegas, hábitos de risco, brincadeiras constrangedoras, etc;
· Influência de amigos principalmente de amigos da ativa e amizades que não conhecem a problemática da doença e acabam tornando-se facilitadoras de uma recaida;
· Diversão e prazer comemorações, festas, bares, e boates, euforia e excitação, companhia de pessoas que usam drogas ou bebem;
· Problemas físicos ou psicologicos - insônia, problemas sexuais, dores físicas, doença, morte na familia;
· Pensamentos secretos de consumir
· Hábito de usar álcool ou drogas no término do trabalho, nos fins de semana, em visitas, quando amigos oferecem
· Lidar com o tratamento - quando está indo muito lentamente no tratamento, é mais facil do que imaginava,, excesso de confiança na recuperação, já está velho demais para parar, pensa que não vai ser feliz se parar,
· Reativação dos mecanismos de defesa - negação, projeção, racionalização e justificação.
ALGUNS SINAIS E SINTOMAS FÍSICOS E EMOCIONAIS .
· SINAIS INTERIORES: - mente fechada, age excessivamente pelo emocional, vergonha da própria doença. Desonestidade.
· ANSIEDADE; imediatismo exagerado para ter, ver e fazer coisas
· VOLTA DA NEGAÇÃO - ignora ou nega sentimentos e dificuldades, medo, ansiedade, preocupação com o próprio bem-estar.
· COMPORTAMENTO EVASIVO E DEFENSIVO: evita pensamentos honestos da própria situação, preocupação com os outros e não consigo mesmo, comportamento impulsivo , solidão.
· CONSTRUÇÃO DA CRISE: devido á negação dos problemas “baixo astral”, visão de túnel ( focaliza e dá um valor maximizado a um determinado problema) perda da capacidade de pensar.
· IMOBILIZAÇÃO: sonha acordado, dificuldade de concentração, desejo imaturo de ser feliz.
· CONFUSÃO E REAÇÃO EXAGERADA: revolta contra si e contra os outros, irritação, raiva fácil, hábitos irregulares, recusa ajuda.
A recaída pode ser utilizada como uma oportunidade para ampliar a cons-cientização do dependente sobre suas dificuldades e seus conflitos. A fissura é o desejo de usar a droga e que não significa recaída, mas sabemos que pensamentos e sentimentos gerados por uma situação podem levar a atitudes e comportamentos “de risco”, se deve desenvolver a habilidade de inter-romper esse processo, mudando o pensamento e focalizando as consequencias negativas do uso, como a dor, a culpa, a solidão, a paranóia, as perdas, etc.
Para alcançar o objetivo da recuperação tanto o individuo como sua familia devem procurar recursos como:
- Grupos de auto- ajuda
- Psicoterapia individual e familiar
O individuo e a familia devem estar atentos a :
- Mudanças nos comportamentos e atitudes, não só do indivíduo , mas também da sua família.
- Rever a maneira de agir frente a diferentes situações, tanto por parte da família como também do indivíduo
- Adicções substitutas ( fumo, uso de bebidas alcoólicas, compulsividade para comer, compras, etc)
- Freqüência de estados depressivos
- Mitos familiars ( relacionados a hábitos e costumes culturais, informações erradas respeito da dependência química)
- -Mensagens duplas ( pais que agem diferente diante o mesmo fato, seja indivi-dualmente ou em conjunto.
- Tendência permissiva por parte de um dos pais ou de ambos
- Falta de diálogo
Sintomas da Síndrome de Abstinência Demorada- SAD
Em primeiro lugar síndrome significa um grupo de sintomas e abstinência demorada são os sintomas que seguem logo após a abstinência aguda (média de 15 dias). Ela é o resultado do dano que o químico causou no sistema nervoso somado ao stress experimentado ao tentar viver sem química.
Normalmente, atinge intensidade maior com dois a seis meses de abstinência total e é possível regredir se o tratamento for aceito e correto. O programa deve ser aplicado e a sua manutenção feita durante o tempo aproximado de 24 meses. Portanto, a sua duração é de 2 meses a 2 anos. Os sintomas principais são:
1-Dificuldade de pensar com clareza: o indivíduo que está em recuperação, em alguns momentos, passa por dificuldades para resolver problemas que para os outros são simples. São como bloqueios, a mente se fecha ou fica em branco, não se concentrando por mais de alguns minutos. Ele não consegue decidir o que fazer para viver a sua nova vida e toma decisões erradas.
2-Problemas de memória: o indivíduo pode aprender ou entender algo novo agora, mas em poucos minutos se esquece. Em alguns momentos lembra de fatos passados em sua vida, ma quando eles são necessários no presente “dá um branco” e decisões corretas não são tomadas. Às vezes, busca algo em algum aposento de sua casa, sabe o que é, mas quando chega ao local pega outro objeto e quando volta percebe que não fez o que pretendia.
3-Hipersensibilidade: se acontece algo que exige uma reação emocional, por exemplo, de número 2, o indivíduo reage com 10, ou seja, um caso comum pode deixa- lo mais nervoso que o normal. Ocorrem variações de humor sem motivo e as reações exageradas geram mais estresse, provocando insensibilidade emocional.
4-Distúrbios no sono: são comuns os sonhos estranhos ou os pesadelos, o que interfere no sono. O indivíduo dorme demais ou de pouco em pouco, acordando a noite inteira.
5-Coordenação física: a coordenação entre a visão e as mãos, moleza, equilíbrio, por estes motivos deve exercitar o corpo não apenas para desintoxicar- se, mas também para coordenar os reflexos e agilizar a mente. Mente sã em corpo são.
6-Sensibilidade ao stress: esta é a pior parte, pois todos os outros sintomas se agravam quando ele aumenta, podendo levar até a um colapso emocional. Não sabe reagir adequadamente sob pressão, tendo reações exageradas que podem até choca- lo mais tarde. “Como pude fazer aquilo?” é uma pergunta comum. O relaxamento e os cuidados com a espiritualidade são recomendados.
Vida equilibrada
O objetivo da recuperação é reavaliar as crenças, os hábitos, os valores e os conceitos, ter uma vida produtiva e, para isso, os hábitos devem ser desenvolvidos e serem saudáveis.
O que vem a ser uma vida equilibrada? Para muitos não- adictos já é difícil e para eles? Talvez sim, talvez não. Tente imaginar uma pessoa que tenha vivido uma vida desregrada, sem horários, sem ter tido uma família funcional ou não- adictiva, que começou a usar o químico muito cedo, assim estacionando o amadurecimento emocional natural, não permitindo que o seu organismo crescesse e se desenvolvesse naturalmente, que aprendeu a enganar por ter sido enganada, que descobriu muito cedo o significado da dor, da vergonha e do sofrimento.
Como essa pessoa pode, de uma hora para outra, ser como os demais, como as pessoas ditas “normais”? Talvez, o amadurecimento se acelere devido a uma determinada frase: “Eu não quero mais sofrer”. Isso vai trazer dor, pois de imediato vai retirar de sua vida o químico, ou seja, o seu alívio imediato para onde “corria” quando estava contrariado. Depois, terá que ter disciplina com um programa sério e mudar o pensar, o sentir, o reagir e o criar.
Uma vida equilibrada significa ser saudável física e emocionalmente, é viver em harmonia com responsabilidade. Equilibrar o trabalho, o lazer, diversões, família, saber dividir o tempo de forma que haja um espaço para cada coisa.
Um adicto em fase inicial de recuperação dificilmente conseguirá se manter assim trabalhando o dia todo e estudando à noite, não terá tempo para a família e o lazer, imagine para o esporte. Será uma recuperação incompleta, pois não cuidará do corpo, do resgate ou criação do relacionamento familiar e não descobrirá outras formas de prazer, como o lazer, passeios ou diversões. Terá uma recaída em breve, pois também não terá tempo para a sua recuperação, o stress irá domina-lo e a insatisfação tomará conta, automaticamente sua memória e o seu corpo se lembrarão da época em que usava algo que lhe dava alívio imediato.
Como está trabalhando e estudando, a família está contente, pois pensa que é só isso e ele se questiona: “Que mal há em usar um pouquinho? Afinal, mereço algum prazer”. Neste momento, a negação toma conta e se não tiver um programa de Doze Passos e um acompanhamento... Adeus amigos, trabalho, família e estudos.
Portanto, vamos trocar a satisfação e o alívio a curto prazo por uma vida gratificante, produtiva e significativa. Alimentação, sono regular e exercícios físicos ajudarão a cuidar da saúde e a reconstruir o corpo e a mente, pois quando o físico está em ordem é mais fácil pensar no resto e saber dosar com equilíbrio.
Uma vida saudável baseia- se no cuidado com as relações sociais, mantendo bons amigos, daqueles que realmente se importam com o adicto, sendo importante também relaxar.
Nutrição
A alimentação é muito importante, pois uma vida desregrada não quer dizer horários para se alimentar e uma vida com o químico não permite que o corpo assimile as proteínas necessárias ao seu bom funcionamento. Agora, não é apenas engordar, mas regenerar um organismo debilitado pela alimentação inadequada. Ter três refeições bem balanceadas por dia, mais alguns lanches, seriam o ideal, é muito importante ao adicto não sentir fome, pois o estômago vazio dá uma sensação de vazio interior e isso lembra uma outra forma de preencher, o corpo se lembra damos a isso o nome de “Memória celular”, que pode despertar a compulsão. Uma fruta, um suco ou lanche pode aliviar até a hora da comida “de verdade”, é importante reeducar o corpo com hora do café, almoço e jantar, mais os lanches intermediários.
Exercícios
Os exercícios ajudam a reconstruir o corpo e o mantém em bom funcionamento reduzindo também o stress, também produz químicas em seu cérebro que fazem com se sinta bem, estas químicas são os próprios tranqüilizantes naturais que aliviam a dor, a ansiedade e a tensão, duas delas são a serotonina e a dopamina, que são os responsáveis pela sensação de bem- estar e prazer, reduzindo muito o estresse, revigorando o corpo e abrindo o apetite. Resultado, facilita a concentração, ajuda a mente e o espírito, aliviando a tensão. O tipo de exercício ideal é o aeróbico, como a dança e a ginástica, bicicleta, bola, natação, artes marciais, novamente não importando o tipo, desde que o indivíduo o faça vigorosamente, após os exercícios você se sentirá muito melhor, fica mais fácil se concentrar e se lembrar se tornando mais produtivo. Escolha um tipo em que se sinta bem, goste e faça com equilíbrio, especialmente se for em grupo (social).
Relaxamento
Existem várias formas de relaxamento, que se consegue rindo, passeando, indo ao cinema, à praia, praticando esportes em grupo, inventando histórias, ouvindo músicas, brincando com o cachorro, cuidando do jardim, tendo um hobby, voltando a ser criança, etc.
São muitas as formas, mas não importa o que o indivíduo faça para relaxar, mas sim como faz, reservando um tempo para isso, descobrindo maneiras de agir e fazer coisas novas, ao que ficaria surpreso em perceber que algo novo pode despertar o seu interesse, fazendo- o pensar assim: “Que gostoso, deveria ter experimentado isso antes”.
O relaxamento profundo não deve ser descartado, você reequilibra o corpo e reduza produção dos hormônios do stress. Quando você relaxa, os músculos ficam pesados, a temperatura do corpo aumenta, a respiração e as batidas do coração diminuem. Existem cursos, terapeutas, livros e CDs, todos especializados no assunto, todos com exercícios específicos, bastando alguns minutos para se sentir bem, é só encontrar o seu preferido e começar. Tudo com muita calma.
Espiritualidade
Muita gente acredita que espiritualidade é simplesmente ir à igreja ou templo, seguir seus dogmas e etc. Não, espiritualidade vem a ser muito mais do que isso, é o nosso relacionamento com o outro e com o meio em que vivemos. A partir do princípio que Deus se manifesta através do próximo tendo um bom relacionamento com ele estamos nos relacionando com nosso poder superior. Religiosidade é seguir os preceitos de determinada igreja, freqüentá-la e também acreditar na experiência que o outro tem de Deus, espiritualidade é acreditar em sua própria experiência. Muitos acreditam ser necessários rituais para estar em contato consciente com seu poder superior, não é assim, praticamos rituais de passagem, de oração ou de religiosidade e eles não funcionam, talvez seja por não estarmos depositando fé neles, apenas seguindo um ritual. Precisamos deles, mas cada um tem a sua forma específica de orar.
Diz um conto sufi que uma grande catástrofe ameaçava uma aldeia do Oriente e os anciãos foram à determinada clareira, acenderam o fogo, entoaram certos cânticos, pediram proteção e foram atendidos. Gerações se passaram e o perigo voltou. Um ancião foi para a mata, acendeu o fogo e disse: “Senhor, não conheço os cânticos, nem sei a oração certa, mas, por favor, nos proteja”, no que foi atendido. Mais um tempo se passou e o perigo voltou. Um homem entrou na mata e pediu: “Pai, não sei o lugar, não sei acender a fogueira, nem os cânticos e as orações, mas, por misericórdia, nos salve”. E foi atendido.
Não importa a forma, e sim que tenhamos fé e que funcione para nós. Não devemos exigir provas, já que a nossa própria existência é a maior prova, mas devemos ter a mente aberta para percebermos a sua manifestação e lembrar que, por mais difícil que possa parecer à situação vivida, ela poderia ser muito pior.
É necessário cuidar da parte espiritual, acreditando e confiando em um Poder Superior, seja ele qual for, desde que seja amoroso, que irá gradativamente tirar o indivíduo do centro do Universo, tornando- o parte dele, de algo maior. Vários dos Doze Passos (o segundo, terceiro, sexto, sétimo e o décimo primeiro) nos falam sobre um Poder Superior, um contato consciente com “Ele”. Um tempo deve ser reservado para Ele também ou não há recuperação, lembrando que sozinho não conseguirá nada e que precisa de ajuda.
Como se pode comprovar, a maioria das pessoas, sejam adictas ou não, não vive equilibradamente. Esta é a vantagem do adicto, para ele não é opção, e sim vida ou morte, é obrigado a viver em harmonia consigo, com Deus e com o meio em que vive.
Crenças erradas sobre recuperação e recaída:
O primeiro passo na prevenção de recaídas é entendê-la. Quanto mais se entender a respeito menor será o risco de sofre-la. Muita gente tem estas crenças erradas e age como se fossem verdadeiras. O problema com as crenças errôneas é que elas evitam que o problema efetivo seja resolvido, o que é necessário para interromper o ciclo de recaída.
Estes comportamentos inadequados levam a um ciclo de recaída, assim as crenças errôneas tornam-se reais. As crenças erradas que detém a recuperação de pessoas com tendência à recaída caem em quatro áreas. Estas áreas são:
1. Crenças erradas sobre o papel do álcool e o uso de drogas na recuperação e na recaída.
2. Crenças erradas sobre a presença e a natureza dos sinais de aviso da recaída.
3. Crenças erradas sobre o significado e o papel da motivação na recuperação.
4. Crenças erradas sobre a eficiência do tratamento.
1: Crenças erradas sobre o papel do álcool e o uso de drogas
na recuperação e recaída:
As pessoas com propensão à recaída acreditam que recuperação é a abstinência ao uso do químico e que recaída é a volta ao uso. Isto os leva a crer que enquanto se mantiverem em abstinência estão em recuperação e se voltarem ao uso recaíram.. Como resultado acreditam que não usar é o objetivo principal da recuperação. Abstinência é apenas o pré-requisito para a recuperação verdadeira que envolve realizar uma série de tarefas diariamente que permitem lidar com a síndrome de abstinência aguda e demorada alem dos danos bio-psico-sociais causados pela adicção. Recuperação é muito mais do que parar de usar, é aprender como viver confortavelmente e expressivamente sem o álcool ou as drogas.
Quando os sintomas baseados no uso são interrompidos pela abstinência, são substituídos pelos sintomas baseados na sobriedade que podem ser tão severos que te levam a perder o controle de seu julgamento e comportamento mesmo quando sóbrio. Muitos dos que recaem dizem que se sentem tão disfuncionais na recuperação que uma volta ao uso adictivo parece uma ação positiva. A dor que sentem é tão grande que acreditam restarem apenas três escolhas: Medicar a dor usando, suicídio ou insanidade. Dadas estas opções o uso aparece como a melhor escolha.
Sintomas baseados na sobriedade - incluindo os sintomas de abstinência aguda e demorada, a incapacidade de lidar com a vida sem usar e a crise criada pelos danos bio-psico-sociais da adicção.
2: Crenças erradas sobre os sinais de aviso da recaída:
Um erro comum é que a recaída ocorre subitamente e espontaneamente sem sinais de aviso. Esta crença leva a um sentimento de desesperança e impotência. A recaída continua sendo um processo misterioso sobre o qual as pessoas em recuperação tem pouco ou nenhum controle e tudo o que podem fazer é esperar e rezar para que a recaída não ocorra. Na verdade existem muitos sinais de aviso que precedem a recaída Uma vez que se reconheça e administre estes sinais de aviso iniciais pode -se interromper o processo antes que ele se inicie.
Se o adicto estiver preso na crença inicial de que recaída é o uso irá identificar apenas alguns dos sinais de aviso de recaída. Ou seja somente identificam os sinais de aviso relacionados a beber ou usar drogas.
Estes sinais são:
· pensar sobre o uso de álcool ou drogas;
· desenvolver uma compulsão para usar álcool ou drogas;
· colocar-se em situações onde outros estão bebendo ou usando drogas;
· parar de participar nos grupos de auto-ajuda ou outras atividades da recuperação.
Estas pessoas acreditam que sempre sabem quando experimentam sinais de aviso, e estes se limitam a tudo relacionado ao uso, hábitos e lugares de ativa, claro que fazem parte mas existe muito mais. Não conseguem perceber que a negação continua na sobriedade e pode bloquear o reconhecimento destes sinais de aviso. O ponto final neste processo de raciocínio leva ao seguinte pensamento e crença errada: “Como estou consciente dos sinais de aviso, sempre poderei lidar com eles”. Conclusão: “Desde que não estou pensando em usar e estou indo às reuniões tudo estará bem.”
O problema com estes sinais de aviso é muito sério pois eles acontecem muito mais tarde no processo de recaída, e quando isso acontece eles já perderam o controle de seu julgamento e comportamento. Por isso eles podem ser incapazes de reconhecer ou fazer alguma coisa para interromper estes sinais de aviso.
3: Crenças erradas sobre motivação:
Devido às crenças erradas dadas anteriormente, muitas pessoas em recuperação desenvolvem os seguintes mal entendidos:
1. Se eu recair eu não estou motivado para me recuperar;
2. Eu me recuperarei quando me magoar bastante devido ao uso de álcool ou drogas;
3. Se eu recaio é porque não sofri o bastante para querer continuar sóbrio.
E as pessoas com propensão à recaída acreditam que precisam sofrer mais para interromper suas estruturas de recaída. Isto é devastador para as pessoas que lutam para não entrarem em processo de recaída, destrói o auto valor e a auto-estima e produz vergonha e culpa. É verdade que alguns adictos recaem porque não acreditam que são dependentes, e não aceitam seu alcoolismo porque ainda não tiveram conseqüências severas o suficiente para se convencer.
Esta estrutura de recaída só se aplica no período de pré-tratamento da recuperação. Ela não se aplica a pessoas com tendência a recaídas que sabem que são adictos e que não podem usar com segurança. A dor nestas pessoas é tão forte que não permite que eles funcionem sóbrios, ela realmente lhes tira os benefícios de seu programa de recuperação. A dor não evita a recaída, ela pode sim aumentar o risco.
4: Crenças erradas sobre o tratamento:
Muitas pessoas que estão se recuperando fazem um esforço muito grande para isso. Procuram aconselhamento e terapia de grupo, assistem regularmente a um grupo de ajuda e mesmo assim eles falham em sua recuperação. Estas pessoas geralmente desenvolvem uma ou duas igualmente destrutivas, crenças errôneas.
A primeira é a de que nenhuma forma de tratamento ou grupo de ajuda pode funcionar. Isto não é verdade, existem muitos casos de pacientes propensos a recaída que se recuperam após voltarem a reaplicar em si mesmos o programa de recuperação que não funcionou antes. Isto devido talvez a restrições à forma que o tratamento foi colocado ou aos membros que o colocaram impede que o tratamento seja realizado como se deve. Muitos recaem várias vezes dentro de uma mesma metodologia exatamente por isso, e resta a pergunta: “Este programa funciona realmente ou é a maneira que estou recebendo?” As vezes é melhor procurar outro local que aplique o mesmo programa ou que tenha algo mais, ou talvez mude a maneira como é aplicado.
Outra crença igualmente destrutiva é o oposto, de que o tratamento (A.A. mais o aconselhamento profissional) é 100% efetivo para qualquer um que queira se recuperar e que a causa principal da recaída é a decisão de desligar-se do tratamento. Com esta crença, quando falham no tratamento, elas assumem que é porque existe algo basicamente errado com elas que torna impossível a recuperação.
Existem bons tratamentos e maus tratamentos, existem tratamentos que são bons para uns e mas não para outros. E ainda existem muitos que são desconhecidos. Algumas pessoas recaem porque não desenvolvem a habilidade para continuarem sóbrias. Isto não significa que não podem. As chances são boas se encontrar uma programa que use um plano de prevenção à recaídas, possa ajudá-lo a conseguir uma sobriedade duradoura ou ao menos continuar sóbrio por períodos mais longos de tempo melhorando assim sua vida.
Recuperação parcial (Gráfico)
Recuperação não é um processo de crescimento em linha reta. Grande parte das pessoas se recuperam em estágios oscilantes, desenvolvem um novo entendimento de sua doença e recuperação. Gastam tempo aplicando e integrando este novo conhecimento em suas vidas diárias, se tornam confortáveis por algum tempo antes de desenvolverem a necessidade de novo conhecimento. As recaídas muitas vezes ocorrem quando não estão tentando colocar o novo conhecimento para funcionar. O stress da mudança os pega e então param. Quando o stress diminui eles falam sobre como melhorar a situação, arregaçam as mangas e começam novamente. Esta recuperação parcial começa quando eles confrontam uma tarefa que acham ser incontrolável ou intransponível. Esta tarefa é chamada de “ponto de estrangulamento”. Ela pode ocorrer em qualquer ponto da recuperação, o mais comum é entre os períodos de evolução do tratamento descritos anteriormente. Uma resposta saudável e produtiva é atrasar um pouco a caminhada e examinar cuidadosamente o ponto de estrangulamento com outras pessoas e procurar ajuda para superá-lo. A recuperação parcial começa quando o ponto de estrangulamento é negado e isso produz aumento do stress e em um esforço para lidar com o stress as compulsões substitutas começam a ser usadas, comer demais, trabalhar demais, gastar demais e etc. Eles trazem alívio na hora mas no final aumentam o stress. O processo de recaída é ativado e eles começam a perder o controle. Se estiver consciente ele reativa o programa de recuperação até o mesmo ponto de estrangulamento ser alcançado novamente e o ciclo recomeça outra vez. Muitos podem ficar presos numa estrutura de recuperação parcial acreditando ser isso recuperação. O objetivo deste trabalho é ajudar a reconhecer os pontos de estrangulamento pois os sinais de aviso estão presentes, superá-los e passar alem deles até o final do ciclo de uma recuperação total, ou seja a manutenção.
O papel do comportamento compulsivo na recaída
Comportamentos compulsivos são ações que produzem uma excitação intensa ou alivio e são seguidos por dor ou desconforto a longo prazo. Estes comportamentos podem ser internos ( pensar, imaginar, sentir ), ou externos ( trabalhar, jogar, falar, etc. ). Te fazem sentir bem no momento mas com o tempo te enfraquecem.
Muitos dos adictos que estão em recuperação de drogas/álcool se utilizam de comportamentos compulsivos como substitutos. Muitos desenvolvem um comportamento tão rigoroso que com o tempo pode interferir com a manutenção da sua recuperação.
Esta equação da adicção nos mostra claramente que:
DOR + DROGAS/ÁLCOOL = ALIVIO IMEDIATO + DOR FUTURA
Nos comportamentos é a mesma equação a não ser pelo fato de substituir as drogas pelo comportamento compulsivo
Principais comportamentos compulsivos
1. Comer/fazer dieta: necessidade de comer compulsivamente quando nervoso, ansioso, tenso, etc. ou dietas compulsivas aliadas à obsessão por emagrecer, e a combinação de comer compulsivamente seguidos por dietas ou vômitos (bulimia);
2. Jogar: necessidade compulsiva de arriscar;
3. Trabalhar/realizar: necessidade compulsiva de se manter ocupado, realizar coisas ou se exceder em tudo o que faz;
4. Exercícios: necessidade compulsiva de estimular o corpo através de esforço físico;
5. Sexo: necessidade compulsiva de ter experiências sexuais sem se satisfazer;
6. Busca de emoções: necessidade compulsiva de experimentar grandes emoções ou intenso stress;
7. Fuga: necessidade compulsiva de evitar as rotinas do dia a dia;
8. Gastar: necessidade compulsiva de comprar/adquirir posses;
Saídas positivas para comportamentos compulsivos
Não é o que você faz que importa e sim como você faz. O comportamento compulsivo pode ser produtivo se for usado de uma maneira equilibrada não causando dor futura ou disfunção. Cada comportamento compulsivo utilizado seria como usar o químico, pois o objetivo é o mesmo: mudar o humor, desviar a mente e fugir da realidade, ele é usado para enfrentar a dor da realidade. Mas cada um destes oito tipos básicos tem comportamentos paralelos que são uma saída positiva realçando a realidade e ajudando a pessoa a lidar com a realidade com maior eficiência, ou seja, com equilíbrio e disciplina. Deve-se identificar e praticar um número de saídas positivas que dão prazer livre de dor. Principalmente no que diz respeito à ociosidade, manter-se ocupado com qualquer coisa que te interesse e te faça sentir-se útil para si e para os outros.
Hoje encontrei seu blog. Me parece muito interessante. Preciso ler com atenção. Creio que muita gente vai gostar!
ResponderExcluirParabéns pela iniciativa!