terça-feira, 21 de junho de 2011

CONTINUAMOS CO PREVENÇÃO À RECAÍDAS


Plano de prevenção à recaídas
(TODO ESTE TRABALHO DE PREVENÇÃO À RECAÍDAS FOI COMPILADO 
BASEADO NO TRABALHO DE TERENCE GORSKI)


            As recaídas não são necessárias, muitos recaem porque não entendem o processo ou não tiveram acesso a ele durante o tratamento, o que o levará a não saber como preveni-los quando começarem os sinais . Toda a instituição que desenvolve um trabalho sério de recuperação deve executar uma parte de seu programa à família, tão doente ou mais que o adicto e um Programa de Prevenção à Recaídas ( P.P.R. ) para os internos que estão a um mês de terminar o tratamento pois poderão se exercitar no conhecimento dos sinais e ter com quem discuti-los, dando continuidade por mais quatro meses pós tratamento. Caso o dependente resida longe do centro de tratamento montar um plano individualizado para ser aplicado em sua cidade por outro profissional mas mantendo visitas mensais ao centro onde se tratou. Com um plano saberá se está fazendo o necessário para evitar a recaída lhe dando um senso de segurança, poderá identificar os sinais de aviso iniciais e interromper o processo. Repetindo: Um plano de prevenção à recaídas deve ser uma parte essencial de um programa de tratamento. A seguir seguem dois exercícios um com os Nove passos do Plano de Prevenção e depois o Voltar de uma recaída, o primeiro são os passos básicos para se manter limpo e perceber a proximidade de uma possível recaída, e o segundo para ser usado no caso de uma recaída.


OS NOVE PASSOS DO PLANO DE PREVENÇÃO DE RECAÍDA


1.    Estabilização - conseguir auto controle através da abstinência, desintoxicação e conscientização;
2.    Auto avaliação - descobrir através da história pessoal o que desenvolveu a doença, ou seja: o que acontece em sua mente, coração e vida;
3.    Educação sobre recaída - aprender o que for possível sobre a recaída e o que fazer para preveni-la;
4.    Identificação dos sinais de aviso de recaída pessoais que me dizem que tenho problemas com minha recuperação e sobriedade;
5.    Administração dos sinais de aviso - aprender como interromper os sinais de aviso antes de perder o controle;
6.    Treinamento de inventário - aprender como ficar consciente dos sinais de aviso quando eles se desenvolvem utilizando o décimo passo;
7.    Rever o programa de recuperação - aprender sobre a doença para ter certeza de que seu programa de recuperação é capaz de te ajudar a lidar com seus sinais de aviso;
8.    Envolvimento com pessoas significativas - ensinar aos outros ( família, amigos, companheiros ) como trabalhar com você para evitar a recaída mostrando como funciona o plano ( honestidade é a base da recuperação );
9.    Seguimento - atualizar seu plano de prevenção regularmente.


1º ESTABILIZAÇÃO

Significa que antes de fazer o plano de prevenção deve reconquistar o controle dos pensamentos, emoções, memória, julgamento e comportamento caso tenha perdido, este é um momento de crise para si e para a família, devem estar todo assustados, zangados, desapontados, culpando-se. Você precisa da ajuda de pessoas em quem confie e que podem te ajudar a retomar os passos necessários para estabelecer a sobriedade. Se sentir-se incapaz de manter um controle firme deve procurar um consultor profissional ou centro de tratamento para conseguir se estabilizar.





2º AVALIAÇÃO

            Descobrir o que ocasionou a recaída revisando seu histórico de uso, assim como os sinais de aviso específicos e sintomas que ocorrem durante tentativas de conseguir abstinência. Isto vai fornecer valiosos indícios do que foi feito errado e o que pode ser feito diferente para melhorar suas chances. Se você não aprende com o passado ele se repete (insanidade - 2º passo).

3º EDUCAÇÃO SOBRE RECAÍDA

            Quanto mais informações tiver sobre adicção, recuperação e recaída mais ferramentas terá para manter a sobriedade. entender os sintomas de abstinência demorada, o que pode aciona-la, como preveni-la ou lidar com ela. familiarizar-se com os sinais de aviso e ser capaz de dar exemplos deles colocando-os em suas próprias palavras para ter certeza de que os entende. ler não é o suficiente, devem se revisados e discutidos com outras pessoas por  isso este não é um programa a ser feito sozinho e sim em reuniões específicas. lembre-se de que a adicção é a doença da negação, sem o envolvimento de outros ela pode impedi-lo de reconhecer o que acontece realmente.

4º IDENTIFICAÇÃO DOS SINAIS DE AVISO DE RECAÍDA

            Cada pessoa tem um conjunto pessoal e único de sinais de aviso que indicam que o processo de recaída está iniciando. neste momento existe perigo de recaída ou de desenvolvimento de outros sintomas mais graves. sintomas podem ser problemas de saúde, de pensamento, emocionais, de memória, ou de julgamento e comportamento. é preciso desenvolver uma lista de sinais de aviso pessoais ou de indicação de perigo, pode ser elaborada de experiências de recaídas passadas.
            da lista de sinais escolha ao menos cinco que se aplicam a você, coloque-os em suas palavras e escreva uma declaração que descreva sua própria experiência com eles. especifique o que esta saindo de uma vida saudável e produtiva.

5º ADMINISTRAÇÃO DOS SINAIS DE AVISO

            Cada sinal de aviso é um problema que precisa prevenir ou resolver, precisa revisar cada sinal de aviso e responder: “como posso evitar que esse problema aconteça?”
            A adicção é uma doença com tendência à recaída, muito por causa da complacência pois se estiver atento e seguindo o programa é impossível recair. isso significa que qualquer adicto em recuperação terá tendência a experimentar problemas ou sinais de aviso. uma vez que se saiba e aceite este fato pode começar a formular um plano para lidar com eles. é essencial que se estabeleça novas respostas para identificar sinais de aviso de recaída. determinar o que vai fazer quando reconhecer que um sinal de aviso está acontecendo em sua vida. como pode ser interrompida a síndrome de recaída? Que ação positiva pode tomar que removerá o sinal de aviso? Liste várias opções ou possíveis soluções para remover o problema, assim terá mais chances de se escolher a melhor solução e dar alternativas se a primeira escolha não funcionar. pratique até que esta opção se torne um hábito, se ela falhar estabeleça um novo plano. Não adie este plano ou quando precisar dele talvez não se lembre como fazer durante uma emergência.


6º TREINAMENTO DE INVENTÁRIO

            Qualquer programa de recuperação com sucesso envolve um inventário diário, o 10º passo diz: “continuamos fazendo um inventário diário e quando estávamos errados o admitíamos prontamente”, este inventário diário é necessário para ajudar a identificar os sinais de aviso antes da negação ser ativada, qualquer sinal de aviso é sério pois pode ser o primeiro passo para voltar a usar ou ter um colapso emocional. sem um inventário diário será incapaz de interromper a síndrome de recaída quando se torna aparente.
            Agora que você tem uma lista dos sinais de aviso pessoais como vai determinar se algum deles se manifesta em seu dia? Bom, De manhã, reserve 5 a 10 minutos para ler a meditação do dia e faça um resumo dos planos do seu dia. Pergunte-se se você está preparado para este dia e o que pode fazer. Ao recolher-se à noite reveja seus planos e outras tarefas que surgiram no dia, identifique o que manuseou bem e o que pode melhorar.
Que forças você usa para enfrentar os desafios do dia? Como você pode reforçar e aumentar sua força? Que fraqueza ficou aparente e como você pode corrigir os defeitos e melhorar nessas áreas? Observe sua lista de sinais de aviso; Eles estão presentes no seu dia? Se estão, o que você está fazendo para corrigir essas situações? Existem outros sinais de aviso que podem ser acrescentados à sua lista?

7º REVER O PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO

            Recuperação e recaída são os lados opostos da mesma moeda, se não está vivendo em recuperação, está em perigo de recair. Um bom programa de recuperação é necessário para evitar uma recaída. Seu programa de recuperação anterior funciona bem para você? Como pode ser melhorado é necessário aprender a se desafiar na vida diária. Você conhece sua adicção e sabe lidar com os sintomas? Presta atenção a todas as necessidades diárias de saúde e está fazendo todo o necessário para viver recuperação?
            É necessário desenvolver um novo programa de recuperação baseado no que funcionou e no que não funcionou no passado. Para cada problema, sintoma ou sinal de aviso que se identifique precisa-se ter certeza de que há alguma coisa no programa de recuperação para ajudar a lidar com isso.

8º ENVOLVIMENTO COM PESSOAS SIGNIFICATIVAS

            Você não pode se recuperar sozinho. Recuperação total envolve a ajuda e o apoio de uma variedade de pessoas para ter sucesso. Isso porque o processo de recaída é muitas vezes um processo inconsciente e mesmo com um inventário diário muita coisa pode passar despercebida, o que não aconteceria com outras pessoas ao redor, lembre-se que quem está fora do jogo vê muito melhor as jogadas que nós mesmos. Selecione pessoas significativas em sua vida para ficarem envolvidas em seu programa de prevenção. Podem ser membros da família, companheiros de sala, de trabalho, vizinhos, um padrinho, enfim, qualquer pessoa próxima e que se importe com você.
            Faça uma lista destas pessoas, com as quais tem um contato diário, escolha desta lista aquelas que você acha que seriam importantes para te ajudar a evitar a recaída, elas vão formar uma rede de intervenção. Determine como cada uma delas agiu no passado; foram úteis? O que poderiam fazer que seria mais útil à sua sobriedade? Agora determine o que gostaria que essas pessoas fizessem na próxima vez que forem reconhecidos os sintomas de recaída. Reuna essas pessoas para uma reunião e mostre a elas a lista de sinais de aviso pessoais formando um contrato com cada pessoa de apoio sobre o que ela deverá fazer quando os sinais forem percebidos e o que eles farão se recomeçar a usar. O que quer que elas façam e o que elas estão dispostas a fazer se a negação for reativada e se for incapaz de reconhecer que existe um problema. Esta rede de intervenção deveria ensaiar ou representar uma situação na qual se está mostrando sinais de aviso e então negar estes sintomas quando você ficar numa pior. Permita que esta rede de intervenção participe de sua recuperação. Encoraje-os a apoiar o programa e rejeitar apoio a seus sintomas de aviso de recaída. Lembre-se de que sua família também está se recuperando, é preciso conhecer suas necessidades e assumis um forte compromisso de atende-los em seus próprios programas de recuperação.

9º SEGUIMENTO

            Adicção não tem cura, é uma doença crônica. Recuperação é um modo de vida. Como o plano de prevenção de recaída é parte da recuperação também precisa se tornar um modo de vida. O plano de prevenção precisa ser integrado em toda a vida e em todos os aspectos da sua recuperação e ser compatível com o programa de tratamento da família. Deve se tornar um hábito pois do mesmo modo que temos o hábito de escovar os dentes e se arrumar, também devemos adquirir o hábito de praticar o programa de recuperação e prevenção.
            É necessário revisar e atualizar o plano em intervalos regulares e estar dispostos a reconhecer novos problemas que ameaçam a sobriedade. O plano de prevenção de recaídas é um processo que deveria tornar-se parte integral da recuperação e começar a ser praticado durante o tratamento, ao menos nas últimas semanas com o treinamento e reconhecimento dos sinais e sintomas que todos possuem. A conseqüência disso será a liberdade para gozar uma sobriedade confortável e a garantia que se tem um conhecimento de recaída, que se pode identificar os próprios sinais de aviso, e que se tem um plano de ação para não permitir que estes sinais de aviso se desenvolvam.

O ENVOLVIMENTO DA FAMÍLIA

            Na grande maioria dos casos o adicto é o primeiro membro da família a procurar tratamento, e a maioria dos membros recusam o fato de que eles tem um problema que requer tratamento especializado. Estes membros negam seu papel na família dependente jogando seus problemas pessoais e de família sobre o adicto. Desenvolvem expectativas irreais de como a vida na família vai melhorar com a abstinência, quando elas não são alcançadas elas agridem o adicto pelo fracasso, embora ele esteja seguindo seu programa de recuperação com sucesso. Suas atitudes e comportamentos podem tornar-se fatores que complicam a recuperação do adicto e que podem contribuir para a recaída.
            Os membros da família podem ser aliados poderosos na prevenção de recaída do dependente, quando eles ficam envolvidos no plano de prevenção um dos focos é colocado na co-dependência e no seu papel na recaída da família (recaída emocional). Estes membros são ajudados a reconhecer sua própria parte da doença e focam envolvidos ativamente no seu próprio tratamento. Desta forma podem ajudar e muito ao adicto a se manter em recuperação com qualidade de vida.


quarta-feira, 15 de junho de 2011

Hoje vamos começar a falar sobre recuperação e recaída, as crenças erradas.


A PREVENÇÃO DA RECAÍDA

RECAÍDA DA DOENÇA ADICTIVA


            A recaída é um processo complexo, não podendo ser simplesmente explicado. Existem muitos aspectos que precisam ser entendidos. É necessário que este trabalho seja lido mais de uma vez e discutido em reuniões para realmente entender e aplicar os princípios abordados aqui. Em primeiro lugar vamos entender um pouco mais do que o básico da doença da adicção esplanado nos tratamentos convencionais, é impossível entender o processo de recaída sem entender a doença da qual se recai
            Por pesquisas feitas, mais e mais pessoas vem a perceber que o processo de recaída começa antes de usar o químico, as pessoas podem tornar-se disfuncionais na sobriedade sem beber ou usar. Podem perder a capacidade de julgamento e comportamento, desenvolver problemas emocionais ou físicos. O processo vai alem da idéia tradicional de recaída com o uso para entender que o processo inclui atitudes e comportamentos que levam ao uso ativo do químico.
            A recuperação começa com a aceitação do fato de que o adicto não pode usar substâncias alteradoras de humor com segurança, mas isso não é o bas-tante, ele precisa parar de usá-los. Não usar é abstinência e ela permite que o pro-cesso de recuperação comece. Aprender a viver normalmente sem o uso de quí-micos requer mais do que abstinência. Requer corrigir os danos físicos, psico-lógicos e sociais causados pela adicção. Também deve aprender a enfrentar a vida de uma maneira não adictiva.
            Recaída e recuperação estão intimamente relacionados. Tendência a recaí-das são como fungos venenosos, crescem mais e melhor na escuridão. A luz do pensamento claro e acurado tende a matar as tendências a recaída rapidamente. Infelizmente ou felizmente a doença da adicção obriga o adicto a talvez buscar um aperfeiçoamento que as pessoas comuns não são obrigadas a experimentar. Elas podem ser confusas, complicadas, desligadas, sentir raiva, vergonha ou outros sentimentos negativos sem maiores preocupações ou conseqüências. O adicto é obrigado a se vigiar, cuidar e melhorar a cada dia que passa pois para ele, se tornar uma pessoa melhor o ajuda a viver em recuperação, ou seja, com uma paz de espirito que somente a sobriedade pode proporcionar.
            É possível interromper a síndrome de recaída antes que ocorram conseqüências sérias, alguns preferem beber ou usar para conseguir alívio temporário da dor, outros não bebem mas desenvolvem sérios problemas de vida e saúde relacionados com a síndrome de recaída. Trazer os sinais de aviso de recaída que ele está experimentando, mas de uma forma consciente, sabendo o que está acontecendo é nosso objetivo. Este é o ponto, saber o que está acontecendo, muitos adictos passam por situações em que pensam: “Tem algo errado comigo não sei o que é, mas não deve ser nada importante”. E assim tem início o processo de negação que pode ser interrompido através do exercício do luto desenvolvido pela Dra Elizabeth Kubler-Ross pois para se trabalhar a recuperação e a recaída temos que trabalhar a negação primeiro.A recaída é um processo que leva o individuo a retomar o uso abusivo de álcool e/ ou  drogas. Por tratar-se de um fenômeno consideravelmente poderoso e perigoso, é necessário que o indivíduo receba instruções em grupos e reuniões para conhecer tal processo e receber treinamento para desenvolver o autocontrole.
Ë difícil entender e identificar seus motivos. O individuo através de exer-cicios de autoconhecimento e autocontrole , deve identificar situações, pessoas, lugares, estados emocionais, comportamentos e atitudes que podem mantê-lo em recuperação.
A prevenção da recaída é um conjunto de habilidades e modificações do estilo de vida da pessoa para evitar recaida e visa:

1)    A aquisição de habilidades para lidar com as situações de risco.
2)    A modificação do estilo de vida

Situações consideradas de risco, entre outras, e facilitadoras para a recaída:

·         Estados emocionais negativos - depressão, angustia, tristeza, desânimo, culpa. stress, humilhação, vergonha, ciúmes, medos, etc.

·         Conflito familiar- preconceito, cobranças, discussões, dificuldades nos relacionamentos, dificuldades financeiras, ociosidade em casa.

·         Pressões sociais - preconceito, cobrança , desemprego, amizades novas e anti-gas, falar em público, reivindicações, etc;

·         Trabalho e  o ambiente de trabalho - fim do expediente, convite dos colegas, hábitos de risco, brincadeiras constrangedoras, etc;

·         Influência de amigos  principalmente de amigos da ativa e amizades que não conhecem a problemática da doença e acabam tornando-se facilitadoras de uma recaida;

·         Diversão e prazer comemorações, festas, bares, e boates, euforia e excitação, companhia de pessoas que usam drogas ou bebem;

·         Problemas físicos ou psicologicos - insônia, problemas sexuais, dores físicas, doença, morte na familia;

·         Pensamentos secretos de consumir

·         Hábito de usar álcool ou drogas  no término do trabalho, nos fins de semana, em visitas, quando amigos oferecem

·         Lidar com o tratamento - quando está indo muito lentamente no tratamento, é mais facil do que imaginava,, excesso de confiança na recuperação, já está velho demais para parar, pensa que não vai ser feliz se parar,

·         Reativação dos mecanismos de defesa - negação, projeção, racionalização e justificação.


ALGUNS SINAIS E SINTOMAS FÍSICOS E EMOCIONAIS .

·         SINAIS INTERIORES: - mente fechada, age excessivamente pelo emocional, vergonha da própria doença. Desonestidade.

·         ANSIEDADE; imediatismo exagerado para ter, ver e fazer coisas

·         VOLTA DA NEGAÇÃO - ignora ou nega sentimentos e dificuldades, medo, ansiedade, preocupação com o próprio bem-estar.

·         COMPORTAMENTO EVASIVO E DEFENSIVO: evita pensamentos honestos da própria situação, preocupação com os outros e não consigo mesmo, comportamento impulsivo , solidão.

·         CONSTRUÇÃO DA CRISE:  devido á negação dos problemas “baixo astral”, visão de túnel ( focaliza e dá um valor maximizado a um determinado problema) perda da capacidade de pensar.

·         IMOBILIZAÇÃO: sonha acordado, dificuldade de concentração, desejo imaturo de ser feliz.

·         CONFUSÃO E REAÇÃO EXAGERADA: revolta contra si e contra os outros, irritação, raiva fácil, hábitos irregulares, recusa ajuda.

A recaída pode ser utilizada como uma oportunidade para ampliar a cons-cientização do dependente sobre suas dificuldades e seus conflitos. A fissura é o desejo de usar a droga e que não significa recaída, mas sabemos que pensamentos e sentimentos gerados por uma situação podem levar a atitudes e comportamentos “de risco”, se deve desenvolver a habilidade de inter-romper esse processo, mudando o pensamento e focalizando as consequencias negativas do uso, como a dor, a culpa, a solidão, a paranóia, as perdas, etc.
Para alcançar o objetivo da recuperação tanto o individuo como sua familia devem procurar recursos como:

-       Grupos de auto- ajuda
-       Psicoterapia individual e familiar





O individuo e a familia devem estar atentos a :

-       Mudanças nos comportamentos e atitudes, não só do indivíduo , mas também da sua família.
-       Rever a maneira de agir frente a diferentes situações, tanto por parte da família como também do indivíduo
-       Adicções substitutas ( fumo, uso de bebidas alcoólicas, compulsividade para comer, compras, etc)
-       Freqüência de  estados depressivos
-       Mitos familiars ( relacionados a hábitos e costumes culturais, informações erradas respeito da dependência química)
-       -Mensagens duplas ( pais que agem diferente diante o mesmo fato, seja indivi-dualmente ou em conjunto.
-       Tendência permissiva por parte de um dos pais ou de ambos
-       Falta de diálogo


Sintomas da Síndrome de Abstinência Demorada- SAD

        Em primeiro lugar síndrome significa um grupo de sintomas e abstinência demorada são os sintomas que seguem logo após a abstinência aguda (média de 15 dias). Ela é o resultado do dano que o químico causou no sistema nervoso somado ao stress experimentado ao tentar viver sem química.
        Normalmente, atinge intensidade maior com dois a seis meses de abstinência total e é possível regredir se o tratamento for aceito e correto. O programa deve ser aplicado e a sua manutenção feita durante o tempo aproximado de 24 meses. Portanto, a sua duração é de 2 meses a 2 anos. Os sintomas principais são:

1-Dificuldade de pensar com clareza: o indivíduo que está em recuperação, em alguns momentos, passa por dificuldades para resolver problemas que para os outros são simples. São como bloqueios, a mente se fecha ou fica em branco, não se concentrando por mais de alguns minutos. Ele não consegue decidir o que fazer para viver a sua nova vida e toma decisões erradas.
2-Problemas de memória: o indivíduo pode aprender ou entender algo novo agora, mas em poucos minutos se esquece. Em alguns momentos lembra de fatos passados em sua vida, ma quando eles são necessários no presente “dá um branco” e decisões corretas não são tomadas. Às vezes, busca algo em algum aposento de sua casa, sabe o que é, mas quando chega ao local pega outro objeto e quando volta percebe que não fez o que pretendia.
3-Hipersensibilidade: se acontece algo que exige uma reação emocional, por exemplo, de número 2, o indivíduo reage com 10, ou seja, um caso comum pode deixa- lo mais nervoso que o normal. Ocorrem variações de humor sem motivo e as reações exageradas geram mais estresse, provocando insensibilidade emocional.
4-Distúrbios no sono: são comuns os sonhos estranhos ou os pesadelos, o que interfere no sono. O indivíduo dorme demais ou de pouco em pouco, acordando a noite inteira.
5-Coordenação física: a coordenação entre a visão e as mãos, moleza, equilíbrio, por estes motivos deve exercitar o corpo não apenas para desintoxicar- se, mas também para coordenar os reflexos e agilizar a mente. Mente sã em corpo são.
6-Sensibilidade ao stress: esta é a pior parte, pois todos os outros sintomas se agravam quando ele aumenta, podendo levar até a um colapso emocional. Não sabe reagir adequadamente sob pressão, tendo reações exageradas que podem até choca- lo mais tarde. “Como pude fazer aquilo?” é uma pergunta comum. O relaxamento e os cuidados com a espiritualidade são recomendados.

O que é necessário 

Vida equilibrada

O objetivo da recuperação é reavaliar as crenças, os hábitos, os valores e os conceitos, ter uma vida produtiva e, para isso, os hábitos devem ser desenvolvidos e serem saudáveis.
            O que vem a ser uma vida equilibrada? Para muitos não- adictos já é difícil e para eles? Talvez sim, talvez não. Tente imaginar uma pessoa que tenha vivido uma vida desregrada, sem horários, sem ter tido uma família funcional ou não- adictiva, que começou a usar o químico muito cedo, assim estacionando o amadurecimento emocional natural, não permitindo que o seu organismo crescesse e se desenvolvesse naturalmente, que aprendeu a enganar por ter sido enganada, que descobriu muito cedo o significado da dor, da vergonha e do sofrimento.
        Como essa pessoa pode, de uma hora para outra, ser como os demais, como as pessoas ditas “normais”? Talvez, o amadurecimento se acelere devido a uma determinada frase: “Eu não quero mais sofrer”. Isso vai trazer dor, pois de imediato vai retirar de sua vida o químico, ou seja, o seu alívio imediato para onde “corria” quando estava contrariado. Depois, terá que ter disciplina com um programa sério e mudar o pensar, o sentir, o reagir e o criar.
        Uma vida equilibrada significa ser saudável física e emocionalmente, é viver em harmonia com responsabilidade. Equilibrar o trabalho, o lazer, diversões, família, saber dividir o tempo de forma que haja um espaço para cada coisa.
Um adicto em fase inicial de recuperação dificilmente conseguirá se manter assim trabalhando o dia todo e estudando à noite, não terá tempo para a família e o lazer, imagine para o esporte. Será uma recuperação incompleta, pois não cuidará do corpo, do resgate ou criação do relacionamento familiar e não descobrirá outras formas de prazer, como o lazer, passeios ou diversões. Terá uma recaída em breve, pois também não terá tempo para a sua recuperação, o stress irá domina-lo e a insatisfação tomará conta, automaticamente sua memória e o seu corpo se lembrarão da época em que usava algo que lhe dava alívio imediato.
        Como está trabalhando e estudando, a família está contente, pois pensa que é só isso e ele se questiona: “Que mal há em usar um pouquinho? Afinal, mereço algum prazer”. Neste momento, a negação toma conta e se não tiver um programa de Doze Passos e um acompanhamento... Adeus amigos, trabalho, família e estudos.
        Portanto, vamos trocar a satisfação e o alívio a curto prazo por uma vida gratificante, produtiva e significativa. Alimentação, sono regular e exercícios físicos ajudarão a cuidar da saúde e a reconstruir o corpo e a mente, pois quando o físico está em ordem é mais fácil pensar no resto e saber dosar com equilíbrio.
        Uma vida saudável baseia- se no cuidado com as relações sociais, mantendo bons amigos, daqueles que realmente se importam com o adicto, sendo importante também relaxar.




Nutrição

A alimentação é muito importante, pois uma vida desregrada não quer dizer horários para se alimentar e uma vida com o químico não permite que o corpo assimile as proteínas necessárias ao seu bom funcionamento. Agora, não é apenas engordar, mas regenerar um organismo debilitado pela alimentação inadequada. Ter três refeições bem balanceadas por dia, mais alguns lanches, seriam o ideal, é muito importante ao adicto não sentir fome, pois o estômago vazio dá uma sensação de vazio interior e isso lembra uma outra forma de preencher, o corpo se lembra damos a isso o nome de “Memória celular”, que pode despertar a compulsão. Uma fruta, um suco ou lanche pode aliviar até a hora da comida “de verdade”, é importante reeducar o corpo com hora do café, almoço e jantar, mais os lanches intermediários.

Exercícios

        Os exercícios ajudam a reconstruir o corpo e o mantém em bom funcionamento reduzindo também o stress, também produz químicas em seu cérebro que fazem com se sinta bem, estas químicas são os próprios tranqüilizantes naturais que aliviam a dor, a ansiedade e a tensão, duas delas são a serotonina e a dopamina, que são os responsáveis pela sensação de bem- estar e prazer, reduzindo muito o estresse, revigorando o corpo e abrindo o apetite. Resultado, facilita a concentração, ajuda a mente e o espírito, aliviando a tensão. O tipo de exercício ideal é o aeróbico, como a dança e a ginástica, bicicleta, bola, natação, artes marciais, novamente não importando o tipo, desde que o indivíduo o faça vigorosamente, após os exercícios você se sentirá muito melhor, fica mais fácil se concentrar e se lembrar se tornando mais produtivo. Escolha um tipo em que se sinta bem, goste e faça com equilíbrio, especialmente se for em grupo (social).

Relaxamento

Existem várias formas de relaxamento, que se consegue rindo, passeando, indo ao cinema, à praia, praticando esportes em grupo, inventando histórias, ouvindo músicas, brincando com o cachorro, cuidando do jardim, tendo um hobby, voltando a ser criança, etc.
        São muitas as formas, mas não importa o que o indivíduo faça para relaxar, mas sim como faz, reservando um tempo para isso, descobrindo maneiras de agir e fazer coisas novas, ao que ficaria surpreso em perceber que algo novo pode despertar o seu interesse, fazendo- o pensar assim: “Que gostoso, deveria ter experimentado isso antes”.
        O relaxamento profundo não deve ser descartado, você reequilibra o corpo e reduza produção dos hormônios do stress. Quando você relaxa, os músculos ficam pesados, a temperatura do corpo aumenta, a respiração e as batidas do coração diminuem. Existem cursos, terapeutas, livros e CDs, todos especializados no assunto, todos com exercícios específicos, bastando alguns minutos para se sentir bem, é só encontrar o seu preferido e começar. Tudo com muita calma.
  
  
Espiritualidade

            Muita gente acredita que espiritualidade é simplesmente ir à igreja ou templo, seguir seus dogmas e etc. Não, espiritualidade vem a ser muito mais do que isso, é o nosso relacionamento com o outro e com o meio em que vivemos. A partir do princípio que Deus se manifesta através do próximo tendo um bom relacionamento com ele estamos nos relacionando com nosso poder superior. Religiosidade é seguir os preceitos de determinada igreja, freqüentá-la e também acreditar na experiência que o outro tem de Deus, espiritualidade é acreditar em sua própria experiência. Muitos acreditam ser necessários rituais para estar em contato consciente com seu poder superior, não é assim, praticamos rituais de passagem, de oração ou de religiosidade e eles não funcionam, talvez seja por não estarmos depositando fé neles, apenas seguindo um ritual. Precisamos deles, mas cada um tem a sua forma específica de orar.
Diz um conto sufi que uma grande catástrofe ameaçava uma aldeia do Oriente e os anciãos foram à determinada clareira, acenderam o fogo, entoaram certos cânticos, pediram proteção e foram atendidos. Gerações se passaram e o perigo voltou. Um ancião foi para a mata, acendeu o fogo e disse: “Senhor, não conheço os cânticos, nem sei a oração certa, mas, por favor, nos proteja”, no que foi atendido. Mais um tempo se passou e o perigo voltou. Um homem entrou na mata e pediu: “Pai, não sei o lugar, não sei acender a fogueira, nem os cânticos e as orações, mas, por misericórdia, nos salve”. E foi atendido.
        Não importa a forma, e sim que tenhamos fé e que funcione para nós. Não devemos exigir provas, já que a nossa própria existência é a maior prova, mas devemos ter a mente aberta para percebermos a sua manifestação e lembrar que, por mais difícil que possa parecer à situação vivida, ela poderia ser muito pior.
        É necessário cuidar da parte espiritual, acreditando e confiando em um Poder Superior, seja ele qual for, desde que seja amoroso, que irá gradativamente tirar o indivíduo do centro do Universo, tornando- o parte dele, de algo maior. Vários dos Doze Passos (o segundo, terceiro, sexto, sétimo e o décimo primeiro) nos falam sobre um Poder Superior, um contato consciente com “Ele”. Um tempo deve ser reservado para Ele também ou não há recuperação, lembrando que sozinho não conseguirá nada e que precisa de ajuda.
            Como se pode comprovar, a maioria das pessoas, sejam adictas ou não, não vive equilibradamente. Esta é a vantagem do adicto, para ele não é opção, e sim vida ou morte, é obrigado a viver em harmonia consigo, com Deus e com o meio em que vive.


Crenças erradas sobre recuperação e recaída:


O primeiro passo na prevenção de recaídas é entendê-la. Quanto mais se entender a respeito menor será o risco de sofre-la. Muita gente tem estas crenças erradas e age como se fossem verdadeiras. O problema com as crenças errôneas é que elas evitam que o problema efetivo seja resolvido, o que é necessário para interromper o ciclo de recaída.
Estes comportamentos inadequados levam a um ciclo de recaída, assim  as crenças errôneas tornam-se reais. As crenças erradas que detém a recuperação de pessoas com tendência à recaída caem em quatro áreas. Estas áreas são:


1.    Crenças erradas sobre o papel do álcool e o uso de drogas na recuperação e na recaída.
2.    Crenças erradas sobre a presença e a natureza dos sinais de aviso da recaída.
3.    Crenças erradas sobre o significado e o papel da motivação na recuperação.
4.    Crenças erradas sobre a eficiência do tratamento.

1: Crenças erradas sobre o papel do álcool e o uso de drogas
na recuperação e recaída:

As pessoas com propensão à recaída acreditam que recuperação é a abstinência ao uso do químico e que recaída é a volta ao uso. Isto os leva a crer que enquanto se mantiverem em abstinência estão em recuperação e se voltarem ao uso recaíram.. Como resultado acreditam que não usar é o objetivo principal da recuperação. Abstinência é apenas o pré-requisito para a recuperação verdadeira que envolve realizar uma série de tarefas diariamente que permitem lidar com a síndrome de abstinência aguda e demorada alem dos danos bio-psico-sociais causados pela adicção. Recuperação é muito mais do que parar de usar, é aprender como viver confortavelmente e expressivamente sem o álcool ou as drogas.
Quando os sintomas baseados no uso são interrompidos pela abstinência, são substituídos pelos sintomas baseados na sobriedade que podem ser tão severos que te levam a perder o controle de seu julgamento e comportamento mesmo quando sóbrio. Muitos dos que recaem dizem que se sentem tão disfuncionais na recuperação que uma volta ao uso adictivo parece uma ação positiva. A dor que sentem é tão grande que acreditam restarem apenas três escolhas: Medicar a dor usando, suicídio ou insanidade. Dadas estas opções o uso aparece como a melhor escolha.
Sintomas baseados na sobriedade - incluindo os sintomas de abstinência aguda e demorada, a incapacidade de lidar com a vida sem usar e a crise criada pelos danos bio-psico-sociais da adicção.

2: Crenças erradas sobre os sinais de aviso da recaída:


Um erro comum é que a recaída ocorre subitamente e espontaneamente sem sinais de aviso. Esta crença leva a um sentimento de desesperança e impotência. A recaída continua sendo um processo misterioso sobre o qual as pessoas em recuperação tem pouco ou nenhum controle e tudo o que podem fazer é esperar e rezar para que a recaída não ocorra. Na verdade existem muitos sinais de aviso que precedem a recaída Uma vez que se reconheça e administre estes sinais de aviso iniciais pode -se interromper o processo antes que ele se inicie.
Se o adicto estiver preso na crença inicial de que recaída é o uso irá identificar apenas alguns dos sinais de aviso de recaída. Ou seja somente identificam os sinais de aviso relacionados a beber ou usar drogas.

Estes sinais são:
·         pensar sobre o uso de álcool ou drogas;
·         desenvolver uma compulsão para usar álcool ou drogas;
·         colocar-se em situações onde outros estão bebendo ou usando drogas;
·         parar de participar nos grupos de auto-ajuda ou outras atividades da recuperação.

Estas pessoas acreditam que sempre sabem quando experimentam sinais de aviso, e estes se limitam a tudo relacionado ao uso, hábitos e lugares de ativa, claro que fazem parte mas existe muito mais. Não conseguem perceber que a negação continua na sobriedade e pode bloquear o reconhecimento destes sinais de aviso. O ponto final neste processo de raciocínio leva ao seguinte pensamento e crença errada: “Como estou consciente dos sinais de aviso, sempre poderei lidar com eles”. Conclusão: “Desde que não estou pensando em usar e estou indo às reuniões tudo estará bem.”
O problema com estes sinais de aviso é muito sério pois eles acontecem muito mais tarde no processo de recaída, e quando isso acontece eles já perderam o controle de seu julgamento e comportamento. Por isso eles podem ser incapazes de reconhecer ou fazer alguma coisa para interromper estes sinais de aviso.

3: Crenças erradas sobre motivação:


            Devido às crenças erradas dadas anteriormente, muitas pessoas em recuperação desenvolvem os seguintes mal entendidos:

1.      Se eu recair eu não estou motivado para me recuperar;
2.      Eu me recuperarei quando me magoar bastante devido ao uso de álcool ou drogas;
3.      Se eu recaio é porque não sofri o bastante para querer continuar sóbrio.

E as pessoas com propensão à recaída acreditam que precisam sofrer mais para interromper suas estruturas de recaída. Isto é devastador para as pessoas que lutam para não entrarem em processo de recaída, destrói o auto valor e a auto-estima e produz vergonha e culpa. É verdade que alguns adictos recaem porque não acreditam que são dependentes, e não aceitam seu alcoolismo porque ainda não tiveram conseqüências severas o suficiente para se convencer.
Esta estrutura de recaída só se aplica no período de pré-tratamento da recuperação. Ela não se aplica a pessoas com tendência a recaídas que sabem que são adictos e que não podem usar com segurança. A dor nestas pessoas é tão forte que não permite que eles funcionem sóbrios, ela realmente lhes tira os benefícios de seu programa de recuperação. A dor não evita a recaída, ela pode sim aumentar o risco.

4: Crenças erradas sobre o tratamento:

Muitas pessoas que estão se recuperando fazem um esforço muito grande para isso. Procuram aconselhamento e terapia de grupo, assistem regularmente a um grupo de ajuda e mesmo assim eles falham em sua recuperação. Estas pessoas geralmente desenvolvem uma ou duas igualmente destrutivas, crenças errôneas.
A primeira é a de que nenhuma forma de tratamento ou grupo de ajuda pode funcionar. Isto não é verdade, existem muitos casos de pacientes propensos a recaída que se recuperam após voltarem a reaplicar em si mesmos o programa de recuperação que não funcionou antes. Isto devido talvez a restrições à forma que o tratamento foi colocado ou aos membros que o colocaram impede que o tratamento seja realizado como se deve. Muitos recaem várias vezes dentro de uma mesma metodologia exatamente por isso, e resta a pergunta: “Este programa funciona realmente ou é a maneira que estou recebendo?” As vezes é melhor procurar outro local que aplique o mesmo programa ou que tenha algo mais, ou talvez mude a maneira como é aplicado.
Outra crença igualmente destrutiva é o oposto, de que o tratamento (A.A. mais o aconselhamento profissional) é 100% efetivo para qualquer um que queira se recuperar e que a causa principal da recaída é a decisão de desligar-se do tratamento. Com esta crença, quando falham no tratamento, elas assumem que é porque existe algo basicamente errado com elas que torna impossível a recuperação.
Existem bons tratamentos e maus tratamentos, existem tratamentos que são bons para uns e mas não para outros. E ainda existem muitos que são desconhecidos. Algumas pessoas recaem porque não desenvolvem a habilidade para continuarem sóbrias. Isto não significa que não podem. As chances são boas se encontrar uma programa que use um plano de prevenção à recaídas, possa ajudá-lo a conseguir uma sobriedade duradoura ou ao menos continuar sóbrio por períodos mais longos de tempo melhorando assim sua vida.


Recuperação parcial (Gráfico)

        Recuperação não é um processo de crescimento em linha reta. Grande parte das pessoas se recuperam em estágios oscilantes, desenvolvem um novo entendimento de sua doença e recuperação. Gastam tempo aplicando e integrando este novo conhecimento em suas vidas diárias, se tornam confortáveis por algum tempo antes de desenvolverem a necessidade de novo conhecimento. As recaídas muitas vezes ocorrem quando não estão tentando colocar o novo conhecimento para funcionar. O stress da mudança os pega e então param. Quando o stress diminui eles falam sobre como melhorar a situação, arregaçam as mangas e começam novamente. Esta recuperação parcial começa quando eles confrontam uma tarefa que acham ser incontrolável ou intransponível. Esta tarefa é chamada de “ponto de estrangulamento”. Ela pode ocorrer em qualquer ponto da recuperação, o mais comum é entre os períodos de evolução do tratamento descritos anteriormente. Uma resposta saudável e produtiva é atrasar um pouco a caminhada e examinar cuidadosamente o ponto de estrangulamento com outras pessoas e procurar ajuda para superá-lo. A recuperação parcial começa quando o ponto de estrangulamento é negado e isso produz aumento do stress e em um esforço para lidar com o stress as compulsões substitutas começam a ser usadas, comer demais, trabalhar demais, gastar demais e etc. Eles trazem alívio na hora mas no final aumentam o stress. O processo de recaída é ativado e eles começam a perder o controle. Se estiver consciente ele reativa o programa de recuperação até o mesmo ponto de estrangulamento ser alcançado novamente e o ciclo recomeça outra vez. Muitos podem ficar presos numa estrutura de recuperação parcial acreditando ser isso recuperação. O objetivo deste trabalho é ajudar a reconhecer os pontos de estrangulamento pois os sinais de aviso estão presentes, superá-los e passar alem deles até o final do ciclo de uma recuperação total, ou seja a manutenção.


O papel do comportamento compulsivo na recaída


Comportamentos compulsivos são ações que produzem uma excitação intensa ou alivio e são seguidos por dor ou desconforto a longo prazo. Estes comportamentos podem ser internos ( pensar, imaginar, sentir ), ou externos ( trabalhar, jogar, falar, etc. ). Te fazem sentir bem no momento mas com o tempo te enfraquecem.
Muitos dos adictos que estão em recuperação de drogas/álcool se utilizam de comportamentos compulsivos como substitutos. Muitos desenvolvem um comportamento tão rigoroso que com o tempo pode interferir com a manutenção da sua recuperação.

Esta equação da adicção nos mostra claramente que:

DOR  +  DROGAS/ÁLCOOL = ALIVIO IMEDIATO  +  DOR FUTURA

Nos comportamentos é a mesma equação a não ser pelo fato de substituir as drogas pelo comportamento compulsivo


Principais comportamentos compulsivos


1.    Comer/fazer dieta: necessidade de comer compulsivamente quando nervoso, ansioso, tenso, etc. ou dietas compulsivas aliadas à obsessão por emagrecer, e a combinação  de comer compulsivamente seguidos por dietas ou vômitos (bulimia);
2.    Jogar: necessidade compulsiva de arriscar;
3.    Trabalhar/realizar: necessidade compulsiva de se manter ocupado, realizar coisas ou se exceder em tudo o que faz;
4.    Exercícios: necessidade compulsiva de estimular o corpo através de esforço físico;
5.    Sexo: necessidade compulsiva de ter experiências sexuais sem se satisfazer;
6.    Busca de emoções: necessidade compulsiva de experimentar grandes emoções ou intenso stress;
7.    Fuga: necessidade compulsiva de evitar as rotinas do dia a dia;
8.    Gastar: necessidade compulsiva de comprar/adquirir posses;

Saídas positivas para comportamentos compulsivos

Não é o que você faz que importa e sim como você faz. O comportamento compulsivo pode ser produtivo se for usado de uma maneira equilibrada não causando dor futura ou disfunção. Cada comportamento compulsivo utilizado seria como usar o químico, pois o objetivo é o mesmo: mudar o humor, desviar a mente e fugir da realidade, ele é usado para enfrentar a dor da realidade. Mas cada um destes oito tipos básicos tem comportamentos paralelos que são uma saída positiva realçando a realidade e ajudando a pessoa a lidar com a realidade com maior eficiência, ou seja, com equilíbrio e disciplina. Deve-se identificar e praticar um número de saídas positivas que dão prazer livre de dor. Principalmente no que diz respeito à ociosidade, manter-se ocupado com qualquer coisa que te interesse e te faça sentir-se útil para si e para os outros.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Aqui temos como trabalhar a Negação em nós mesmos para poder ajudar o outro e os 12 Passos para que o terapeuta não cometa erros

PARA TRABALHAR A NEGAÇÃO

(Melodie Beattie - Hazelden)

1) Examine seus motivos: Quer realmente ajudar a pessoa ou está tentando interferir ou controlar? Está com raiva medo ou ressentido? Pensa que é melhor que esta pessoa? Está em contato com seus sentimentos, crenças e poder superior? Está negando alguma coisa? Tem alguma necessidade de negar o que a outra pessoa está negando? Precisa ou espera que a outra pessoa negue algo pelas suas próprias razões?

Se assim for a outra pessoa pode sentir isso e não vai cooperar. Se o seu coração não está na sintonia certa em relação a esta pessoa, ela vai sentir isso e sua ajuda vai tornar-se inoperante.

2) Mantenha-se saudável: Saúde gera saúde, a doença gera doença. Se em algum momento perceber que precisa de A.A., Al-Anon ou qualquer outro programa de doze passos, vá às reuniões regularmente e trabalhe seu programa.

Se você teve uma doença terminal, crônica e incurável o ano passado ou há dez anos, ainda a tem. Tratá-la vai minimizar a sua necessidade de usar a negação e o programa de doze passos vai ajudá-lo a lidar com as outras pessoas.

3) Dê autorizações saudáveis: Permita-se a si e aos outros pensar, sentir, resolver problemas, ser quem são e estar onde estão no seu processo de crescimento. Estas autorizações dão força, energia e são de muita ajuda. Porque a negação faz entrar em curto circuito os processos de pensamento e as emoções de uma pessoa, dar estas autorizações pode encorajar a maquinária a recomeçar a trabalhar.

Dar às pessoas a autorização para serem quem são - lutadores imperfeitos numa viagem - pode reduzir a sua necessidade de usarem a negação. Não há problema em ter problemas. Não há problema em resolver problemas também. Uma autorização contrária que eu dou às pessoas - especialmente a crianças que precisam aprender e a pessoas que tem tendências destrutivas é: “Não é aceitável magoar-se ou aos outros”. Isto pode ser claro para nós, mas não o ser para eles.

4) Ouça: Se quiser. Deixe as pessoas saberem que está disponível se elas quiserem falar. Falar ajuda as pessoas, tiram coisas da cabeça e a arejam. É saudável ser ouvido - cria aceitação.

Lembre-se que ajuda ouvir com seu coração assim como com seus ouvidos. O que está ouvindo pode ser outra forma de dizer: “tenho medo”, ”estou sofrendo”, “estou confuso”.

5) Fale de você, das suas emoções e das suas experiências: Falar dos seus sentimentos é sempre uma boa maneira de lidar com eles. Vai ajudá-lo. E, Partilhar honestamente as suas emoções e experiências pode ajudar outras pessoas também. Pode dar-lhes coragem de fazer o mesmo, as suas vitórias podem dar-lhes esperança. Não seja demasiado intenso nem paternalista. Se sente que tem que falar de outra pessoa seja gentil. As pessoas que estão sofrendo reagem bem à gentileza: “Soa como se estivesse com problemas apenas”. Ajuda mais do que: “Está mesmo embrulhado”, melhor ainda, encontre algo de bom nesta pessoa - uma qualidade, algo que ele ou ela tenha e que você gosta e aprecia - e ofereça este elogio. Isto pode ajudar mais do que imagina e você desenvolve um bom traço de caráter.

O que você pode dizer a alguém que lhe pede que suporte ou concorde com a sua negação? Se alguém lhe fizer esta pergunta: “Diga-me, não é assim” - verbalmente ou com um silêncio desconfortável - aqui só há uma resposta possível: “Eu não posso tomar esta decisão por você, vai ter que pensar no assunto e tomar esta decisão sozinho”. Isto não deve ser só uma resposta, deve ser uma atitude muito profunda.

6) Ofereça informação, literatura e referências: Isto quer dizer pergunte à pessoa se ela quer ficar com o livro, a brochura, a apostila ou o artigo. Se a resposta for não, então não insista. Lembre-se que há uma grande diferença entre informação e conselho.

Não dê nem ofereça conselhos. Não ajuda e só serve para deixar as pessoas furiosas. Mesmo que lhe seja pedido não os dê. Uma boa resposta seria: “O que acha que deveria fazer?” Isto ajuda e ninguém leva a mal.

7) Leia o livro azul de A.A. e outras literaturas do programa de doze passos: Contém muita sabedoria que pode ajudar na identificação da pessoa que está ajudando.

8) Demonstre empatia: Esta é uma palavra bonita que significa se colocar no lugar do outro. Não quer dizer auto piedade, quer dizer lembrar-se o que significa sofrer uma perda tão grande que precise negá-la.

Se não consegue se lembrar de ter sofrido ou negado, e se não consegue ter empatia reveja o item n.º 1 antes citado. Se ainda assim não consegue lembrar-se, talvez você não seja a pessoa certa para lidar com a pessoa que está sofrendo. Empatia ajuda, e pode ajudar muito a reduzir a necessidade de negar.

9) Evite julgar: As pessoas têm problemas, não são o problema. Dizer ou acreditar que uma pessoa é má, inferior, sem esperança, horrível ou orgulhosa não vai ajudar. Mesmo que sinta isso em seu coração, se não o disser não vai ser ouvido(mas não esqueça que o corpo fala, então procure não demonstrar, ao invés disso procure perceber se não existe alguma identificação entre você e a pessoa que está tentando ajudar). Especialistas acreditam que o medo, a culpa e a vergonha são algumas das maiores barreiras que as pessoas enfrentam para parar de negar.

Se juntarmos à culpa e a vergonha de uma pessoa - se lhe dissermos que os seus piores receios são verdade - isso não vai ajudar. Pode é aumentar a necessidade de usar a negação.

10) Não discuta: Raramente isso ajuda uma pessoa a parar de negar. Desvia a atenção e faz perder tempo e energia. Você não pode apoiar ou concordar com a negação, mas também não deve forçar uma pessoa a ver a realidade. Às vezes ajuda dizer: “Está bem, pode ser que tenha razão”. E deixar ir. Isto tira a pressão de si e coloca na outra pessoa de uma maneira positiva, e que ajuda.

Deixe as pessoas lutarem com elas mesmas e decidirem se tem razão. Sua batalha com a verdade e a realidade é muito mais dura de vencer que uma batalha consigo. E quando esta batalha acabar vão ter ganho algo. Isto não quer dizer que não possa ter raiva de quem está em negação. Você tem direito aos seus sentimentos, e precisa senti-los e as vezes comunicá-los. Mas gritar não é normalmente a melhor maneira de faze-lo.

11) Respeite as pessoas: Não tem que respeitar comportamentos pouco saudáveis - respeite a pessoa. Isto inclui acreditar que elas são boas pessoas(mesmo que tenham problemas). Elas podem pensar e podem resolver seus problemas. Isto quer dizer que permitimos que façam essas coisas por si. Pergunte-lhes o que elas crêem que o problema seja. Pergunte como querem resolvê-los . Não temos que curar, faze-los ficarem melhor, controlar ou salvar. Não temos que lhes dar conselhos, nem fazer com que seus sentimentos desapareçam.

Não temos que/e não devemos - envolvermo-nos com suas crises e conseqüências. As conseqüências são uma das maneiras em que a realidade fala alto para aqueles que estão em negação. Pare de os salvar! Vai lhes fazer um grande favor e a si mesmo.

12) Respeite-se. Ponha limites: Para sua saúde e bem estar. Não faça coisas pelos outros que realmente não quer fazer, que não sejam boas para si ou que não sejam boas para eles. Procure ser assertivo.

Não deixe que uma pessoa que está em negação lhe faça coisas que te façam mal. Isto não quer dizer para dar ultimatos ou fazer jogos de poder(fazer algo para obrigar uma pessoa a ter um comportamento qualquer ou para “mostrar quem manda”). Isto quer dizer que calmamente deve descobrir o que precisa fazer para tomar conta de si e faze-lo. Marque os limites.

13) Confronte com cuidado: Isto não é um trabalho de confronto ou intervenção. Ambas são boas ferramentas, quando usadas conveniente mente. Ambas podem igualmente ser perigosas - para nós e para as pessoas que confrontamos. Despir uma pessoa de ilusões não é um projeto casual. Se o assunto que está a ser negado é sério a pessoa pode parar com a negação após ser confrontada. Mas lembre-se - esta pessoa não vai provavelmente evoluir calmamente para a aceitação. Pode avançar para a segunda fase do processo, a raiva - Podem surgir atos violentos quando situações como essas acontecem.

Tenha cuidado, John Powell explica porque em seu livro “Porque tenho medo de lhe dizer quem sou?” “A vocação de endireitar pessoas, de lhes tirar as máscaras, de os forçar a enfrentar a verdade reprimida é uma chamada extremamente perigosa e destrutiva. Ele não pode viver com algo que realizou. De uma maneira ou de outra, ele mantém-se psicologicamente intacto através de uma forma de ilusão. Se essa ilusão for desmontada, quem a vai reconstruir e por o ser humano de pé outra vez?” Procure ajuda profissional se pensa que você, ou alguém perto de si está tendo problemas com a negação, ou se está considerando confrontar ou intervir um caso difícil.

14) Desligue: O comportamento difícil que ajuda tanto. Não leve as pessoas pessoalmente nem os problemas delas consigo. Não somos responsáveis por outros adultos - não assuma responsabilidades por eles ou por seus problemas. Em última análise e com toda certeza cada pessoa é responsável pela sua negação. O seu processo de negação é sua responsabilidade. Ocupe-se das suas responsabilidades - de si e do seu processo de aceitação.

Se não podemos controlar os outros, o que aparentemente não podemos, então ao menos devemos tentar controlar a nós próprios. Se lhe está sendo difícil afastar-se de uma pessoa ou de um problema, pode querer considerar o grupo de apoio. Ajuda.

15) Confie em você: No seu processo de aceitação e no seu poder superior. Não existem regras absolutas para lidar com a negação ou com as pessoas. Cada situação e cada pessoa são únicas. Mas você pode pensar, pode perceber como lidar com situações. Se quer ajudar alguém, pergunte ao seu poder superior, peça que o utilize e lhe mostre o que fazer. Empenhe-se em ser gentil, pensar claramente e em ter amor nos seus encontros com pessoas. Esqueça-se da perfeição.

E você nem sempre tem de fazer algo. As pessoas reestruturam-se “caindo aos pedaços”- e o processo muitas vezes começa pela negação. É assim que Deus trabalha conosco. Abra mão do controle e deixe-O faze-lo por você.

Os Doze passos para o terapeuta

Uma das características de muitos profissionais de saúde no atendimento ao dependente químico, com uma impetuosidade e auto- exigência de resultados é que muitas vezes o leva a assumir a responsabilidade da cura com tal empenho muito peculiar de quem imagina ter a capacidade de salvar vidas. Esquecem ou desconhecem as características da patologia em questão e sua história evolutiva; assumem a postura de cuidar do D.Q. com tal semelhança vista apenas nos familiares mais envolvidos, tornando-se então “facilitadores profissionais.” Vamos ver como os doze passos podem nos ajudar.

Passo 01 - Só há esperança de controlar uma grande compulsão de cura quando admitimos que somos impotentes perante a doença; assim como o D.Q. não consegue controlar seu uso, nós não conseguimos controlar o D.Q.

Passo 02 - O profissional, por formação acadêmica, consegue mais facilmente confiar em tratamentos físicos/psiquiátricos/psicológicos do que confiar na capacidade das pessoas de se envolverem na entrega; ou acreditar que o próprio cliente possa resolver seu problema, com a ajuda, sem a ajuda ou apesar da ajuda do terapeuta. Devemos reconhecer que a “força superior” contra a compulsão pode ser muito mais forte que a “força superior” da compulsão. Precisamos perceber os limites do nosso atendimento e acreditar que um “poder superior” possa devolve ou manter a sanidade.

Passo 03 - O profissional apresenta muitas vezes resistência em abandonar o estigma do suposto saber, mas entregar-se ao poder superior, assim como o concebemos, abrindo mão dos preconceitos e certezas da profissão, em nome de um pouco de boa vontade é preciso.

Passo 04 - Fazer uma minuciosa auto- análise, buscar conhecer-se, desenvolver-se. Fazer um destemido inventário na sua forma de atender, o quanto e a quantos ajudou, ou até atrapalhou. Reconhecer-se carente de ajuda para procurar e aceitar ajuda, e não só dispor-se a ajudar. A terapia pode ser o caminho.

Passo 05 - Admitir a nós mesmos, a natureza de nossas falhas e reconhecermos o limite do nosso saber e competência. Penitenciarmo-nos perante nossas limitações e procurarmos outro profissional, para compartilhar esse “segredo” em supervisão. Lutar contra os defeitos da própria formação se faz necessário.

Passo 06 - Prontificar-se a reformulação, iniciar uma luta contra suas dificuldades e defeitos de caráter. As pessoas que fazem atendimento não são diferentes das outras pessoas, nas suas semelhanças em qualidades e defeitos, potencialidades e dificuldades. Afinal, ser humano é uma virtude, há que assumir-se.

Passos 07 - O homem busca a perfeição, não se satisfaz em suas limitações, quer transpor suas imperfeições, esquece a humildade. Precisa então, abandonar a onipotência; perceber a existência de uma força superior como uma experiência interior profunda; como um mistério que significa a revogação da arrogância humana quando imagina que sabe tudo, e que na realidade sempre escapa algo do próprio saber. Impulsionar-se a pensar sobre a mania de tudo poder, de querer ser Deus e dominar os segredos da vida e da morte.

Passo 08 - Buscar e ética como regra básica; afastar o ranço moralista, sem censura, perceber tudo o que se passa consigo. Manter o inventário e reparar as deficiências, produzir um desenvolvimento constante, manter o compromisso de aperfeiçoamento como forma a reparar os danos causados e evitar que outras pessoas sejam prejudicadas.

Passo 09 - Colocar em prática a reformulação pessoal e procurar a correção profissional. Evoluir sempre, salvo quando faze-lo signifique prejuízo a outros. Ser um convite à ação, com princípios agora de sobriedade.

Passo 10 - Manter uma estratégia de aperfeiçoamento é fundamental. Produzir uma auto-análise sistemática, admitir o erro prontamente e corrigir a trajetória.

Passo 11 - Procurar, buscar, através da prece e da meditação, um encontro máximo consigo mesmo, uma reconciliação com a vida e com a profissão como ela é, e não como gostaríamos que fosse. Melhorar o contato com as forças superiores, e rogar apenas o conhecimento de sua vontade em relação a nós; e ter forças para realizar essa vontade. Perceber que o potencial de recuperação não depende apenas do terapeuta.

Passo 12 - Tendo conseguido quebrar o estigma e sair da ignorância quanto à doença, num despertar de uma nova maneira de atender, expandir esses princípios para todas as atividades e poder auxiliar outros profissionais a encontrarem esse despertar.

Não basta apenas aprender sobre Dependência Química e investir passionalmente contra ela (“abstinência”). É preciso amadurecer a forma e ampliar as possibilidades de ajuda (“sobriedade”). Isso só será possível quando se conseguir avaliar com precisão os próprios limites e aceitá-los, ser influenciados em sua forma de ser e agir, para conseguir a “serenidade.”