sexta-feira, 3 de junho de 2011

Falaremos agora sobre FACILITAÇÃO- na familia, no terapeuta, enfim so sentimentos e o que deve ser evitado

Facilitação

Comportamento que mesmo vindo com boas intenções protege o D.Q. das conseqüências do uso do químico contribuindo com a progressão da doença; exemplos:

01.- Negar: de que o uso da droga/álcool seja um problema primário, “Ele/ela não é um D.Q.”;

02.- Evitar: problemas ou confrontos que possam provocar crises e levar o uso;

03.- Minimizar: os problemas causados pelo dependente argumentando que existem problemas maiores; “Ele não é tão mau assim”. As coisas vão melhorar quando...”

04.- Racionalizar: os fatos defendendo o comportamento inadequado;

05.- Proteger: o dependente das conseqüências que virão de seu comportamento impedindo assim uma crise que poderia obriga-lo a se tratar; a imagem do mesmo, ele da dor e a mim mesmo da dor;

06.- Esperar: que a situação melhore, “é só uma fase”;

07.- Não falar: sobre qualquer sentimento, atitudes, valores ou medos, qualquer assunto que ameace o falido equilíbrio da família;

08.- Tranqüilizar: os próprios sentimentos, para evitar problemas através de tranqüilizantes, comida e trabalho;

09.- Culpar: criticar, fazer sermões etc.

10.- Sentir-se superior: Tratando o D.Q. como uma criança, não o deixando tomar decisões;

11.- Controlar: Deixar de participar de eventos ou encontros de amigos para estar próximos dele e vigiá-lo: “Que tal não irmos à festa da Companhia este ano?;

12.- Agüentar: A vergonha, a raiva, o medo: “Isso também vai passar”;

13.- Guardar: Seus sentimentos dentro de você;

CARACTERÍSTICAS DA CO-DEPENDÊNCIA

· É guiado por uma ou mais compulsões;

· É compelido e atormentado pelo jeito como as coisas eram na família disfuncional de origem;

· Sua auto- estima(e muitas vezes a maturidade) é muito baixa;

· Tem certeza de que sua felicidade depende dos outros;

· Do mesmo modo se sente responsável pelos outros;

· Seu relacionamento com o cônjuge ou os pais é desfigurado pelo instável desequilíbrio entre dependência e interdependência;

· O co- dependente é um mestre da repressão e da negação;

· Se preocupa com coisas que não pode mudar e é bem capaz de tentar muda-las;

· Sua vida é pontuada de extremos, nada é suficiente;

· Para finalizar, está sempre procurando por alguma coisa que falta em sua vida.

As dificuldades e problemas dos Dependentes Químicos não são apenas eles, naturalmente e progressivamente os que convivem com eles passam a fazer parte do círculo, se torna a doença da família chamada de Co- Dependência. Não existem famílias iguais, mas os sintomas, sentimentos e comportamentos são semelhantes. Existe uma diferença entre o Dependente e o co- dependente, o familiar não está anestesiado pela droga/ álcool, mas, pode se tornar dependente de tranqüilizantes/ anti-depressivos.

Estágios da doença na família

Como os principais facilitadores do “problema”, ela passa por quatro estágios:

1 - A ansiedade causada pelo uso do dependente, mesmo negando que possa estar havendo algo errado, normalmente começam a se afastar uns dos outros e a tensão cresce fazendo com que deixem de ser assertivos com os sentimentos. Começam a desaparecer objetos pessoais do dependente;

2 - A casa cai e a família passa a se preocupar com o uso de drogas. Começa a desconfiar confiando, por medo de se comprometer, procurando informações se ilude tentando controlar o uso do dependente ou as conseqüências e assim perdem o controle de seu próprio comportamento; começam a desaparecer objetos de casa;

3 - Começa a negação do sofrimento emocional, os membros da família começam a assumir seus papéis de facilitadores e surgem as disfunções;

4 - Surgem as crises graves, todos saturados procuram rotas de fuga(tranqüilizantes/anti- depressivos/álcool) surgem afastamento emocional, crises, brigas, separações, etc.

Sentimentos e emoções

Raiva: do comportamento inadequado do dependente, estão sempre em estado de ira;

Ressentimento: contra os furtos, desrespeito, desonestidade, atitudes, promessas quebradas, etc.;

Dor: ao observar a auto- destruição do dependente, o desinteresse pela vida e saber que está tomando parte nisso;

Vergonha: do comportamento embaraçoso do dependente, das mentiras para conseguir dinheiro na vizinhança e de si mesmo por estar impotente e não pedir ajuda;

Culpa: principalmente pelas dificuldades criadas pelo uso da droga. O que foi que eu fiz/disse ou deixei de dizer/fazer? Acabam transferindo tudo, encontrando vítimas e culpados;

Medo: do futuro, do que não conhece, das discussões, violência, ruína, do que vão fazer ou dizer os vizinhos, família, policia, overdose, etc.;

Solidão: sintoma característico da doença, se isola tanto dentro quanto fora da família por causa da vergonha, culpa, dor, ressentimento, raiva, medo, etc.;

Perda de contato com o plano real: a progressão da doença gera a incapacidade da família de continuar amando ou preocupando-se com o dependente. Começam a se afastar dos outros vivendo relações ilusórias.

O facilitador profissional: Dificuldades comuns:

· Não conhecer a dependência química e o programa de recuperação dos doze passos

· Não aceitar que a dependência química é uma doença, assim receitando substâncias alteradoras do humor;

· Não se informar a respeito de grupos anônimos e assim não conhecendo o programa de doze passos;

· Impotência diante do caso tornando impossível um confronto com o paciente;

· Insegurança quanto à capacidade profissional que o leva a evitar o confronto;

· Esperar que o paciente se manifeste ao invés de confrontá-lo;

· Acreditar que é um problema de força de vontade;

· Confiança no tratamento individual, que não terá sucesso sem um programa de grupo(A.A./N.A.) e um de P.P.R.( programa de prevenção de recaídas). Um grupo de D.Q. em recuperação tem menos chances de ser manipulado por um companheiro do que um leigo;

· Ressentimento por ser manipulado;

· Encarar como um problema moral, e não como uma doença.

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